A DISCUSSÃO DO
CACHACEIRO E DO CRENTE
AUTORIA: KIKI
LAURENTINO
Aos prezados leitores
Peço respeitosamente
Para ler este livrinho
Tirado da minha mente
Falando em religião
Tratando da discussão
Do cachaceiro e o crente.
Este fato aconteceu
Um dia em Nova Iguaçu
Um sujeito beberrão
Tomou bastante Pitú
E na igreja do crente
Entrou afeitos amente,
Fez o maior sururu.
Certo dia os crentes
Estavam em oração
E na frente da igreja
Foi passando o beberrão
Já cheio de agua ardente
De entrar no ambiente
Tomou uma decisão.
Ao entrar foi dizendo:
Daqui ninguém me despeja
Foi logo virando os bancos
E cadeiras da igreja
Logo chegou o pastor
Desmedido furor
Ai travou a peleja
O pastor disse: Meu Deus
Chegou um endiabrado
E arte do satanás
Um homem alcoolizado
Entrar na casa de Deus
Foi assim pelos judeus
O cristo sacrificado.
Disse o bêbado: espera ai
Você comigo se engana
Me chamando de judeu
Por que tomei uma cana
Mais sou católico constante
E você é protestante
Da santa igreja romana
A igreja de vocês
É uma casa sem luz
Aqui nem sequer eu vejo
A imagem de Jesus
Vocês sim, são os judeus
Pois não pode ser de Deus
Uma igreja sem cruz.
Cruz não tem valor de nada
O crente lhe respondeu:
Isto é mentira pura
Do burro que escreveu.
A cruz de nada adianta
A cruz não pode ser santa
Santo é quem nela morreu.
E a imagem também
É coisa sem fundamento
Porque ninguém neste mundo
Teve o merecimento
De ver de Deus a miragem
Como se fez a imagem
Sem ter o conhecimento.
O cachaceiro lhe disse:
Você não sabe de nada
Foi o mesmo que escreveu
A escritura sagrada
A bíblia que você ler
Quem foi que soube escrever
E onde foi encontrada?
O crente lhe respondeu:
Deus deixou para Moisés
Escrito em uma taboa
Pra se reger aos fiéis
Com isto foi traduzido
Segundo o que tenho lido
Seus mandamentos
O bêbado disse: comigo
Você não conta vantagem
Porque adora Jesus
E não adora a imagem
Vendo esta semelhança
Temos a mesma esperança
De ver de Cristo a miragem.
O crente disse: A imagem
É feita por pecador
Beberrão como você
Incapaz e sem valor
Para mim não vale nada
Uma estátua esculturada
Pela mão dum escultor.
Eu bebo mais dou valor
A Santa Igreja Católica
Vocês dizem estarem salvos
Nesta seita diabólica
Julgando o seu semelhante
Mas vivem muito distante
Da Santa lei apostólica.
Disse o Crente: a
Lei católica
É uma lei sem proveito
Eu acho ser muito errada
Esta lei que dá direito
Viver de vício e miséria
Cachaça, jogo e pilhéria
E tudo quanto é defeito.
Respondeu o cachaceiro:
Isto tudo se liquida
O cristão tem o direito
Duma distração na vida
Jesus só quer do cristão
Seu humilde coração
A matéria destruída.
Disse o crente: estão errados
Todos os pensamentos seus
Porque eu li um versículo
No livro dos Macabeus
Em termos bem declarados
E todos os viciados
Não vão ao reino de Deus.
O cachaceiro lhe disse:
Nada disso eu considero
Isto que você me diz
Não creio e nem assevero
Este livro que figura
Além da nossa escritura
Foi invenção de Lutero.
O crente disse: Parece
Que você nada estudou
Só está falando isso
Porque alguém lhe falou
A cachaça lhe inspira
Isto é pura mentira
De quem isto propagou.
Você fala da cachaça
Só para se exibir
Porém este seu aspecto
Não pode me desmentir
Está querendo ser santo
Mas também já bebeu tanto
De não poder resistir.
De fato, já fui errado
A tudo já me dispus
No tempo que eu vivia
Dentro das trevas sem luz
Já bebi, não bebo
mais
Eu era de satanás
Agora sou de Jesus.
É o comum de vocês
Depois de tanto absurdo
Matar, roubar, desonrar.
Pois isto eu sei a miúdo
Depois vem se exibir
Orando e querendo ir
Para o céu com tripa e tudo.
O crente lhe respondeu:
Arrependi-me muito cedo
Por isto sei que estou salvo
Posso dizer sem segredo
E confio em Deus eterno
Que de ir para o inferno
Não tenho um tico de medo.
O bêbado lhe responde:
Eu sei que você não faz
O que Jesus cristo fez
Você não será capaz
Sua alma será julgada
Você dizendo burrada
Condena-se ainda mais.
O crente disse: Jesus
Deixou isso escriturado
“quem crer em mim será salvo”.
“Quem não crer é condenado”
Eu que sou servo de Deus
Creio nos poderes seus
Sei que estou perdoado.
O bêbado disse: Eu espero
Ser perdoado no dia
Que minha alma partir
Desta vida de agonia
Espero ter salvação
Porque isto está na mão da Santa Virgem Maria.
Você confia em Maria?
E não confia em Jesus?
Neste caso está perdido
Numa caverna sem luz.
Maria não tem poder
Que possa lhe defender
Nem para o céu lhe conduz.
Como é que não tem poder?
Se ela é santa e sagrada
Por ser a mãe de Jesus
Não pode ser censurada
Desculpe o que eu lhe digo
Neste caso meu amigo
Sua mãe não vale nada.
Com isso o protestante
zangou-se naquela hora
Saiu empurrando o bêbado
Da sua igreja pra fora
Durante aquela bulha
Chegou ali a patrulha
E os levou sem demora.
No outro dia saiu
A noticia nos jornais
Que um pastor protestante
Tinha agredido um rapaz
Dentro da sua igreja
Foram findar a peleja
Lá dentro dos tribunais.
O cachaceiro e o crente
Foram para detenção
O crente foi processado
Por motivo de agressão
Enquanto o cachaceiro
Ficou preso um dia inteiro
Por causa da invasão.
Aqui findei diversas
A famosa discussão
Levando um livrinho deste
Verão quem teve razão
É claro que o protestante
Saiu perdendo a razão.
fim
Todos os direitos reservados: Rita de cássia Laurentino
Revisão:
Nadija Adriana Mariano
Lançamento cultural: Sophye Intec
1980 – 2020
rosenilda rocha moura

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